01/03/2009 00:00

Spinoza

As translúcidas mãos do judeu
Lavram na penumbra os cristais
E a tarde que morre é medo e frio.
( Às tardes às tardes são iguais)
As mãos e o espaço de jacinto
Que empalidece nos confins do gueto
Quase não existem para o homem quieto
Que está sonhando num claro labirinto.
Não lhe pertuba a fama, esse reflexo
De sonhos no sonho de outro espelho,
Nem o temeroso amor das donzelas,
Livre da metáfora e do mito,
Lavra um árduo cristal: o infinito
Mapa Daquele que é todas Suas estrelas.

Jorge Luis Borges


Isamu Nogushi
enviada por Ledusha






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