26/02/2009 22:30
Cuspo a alma para encerrar o sábado, engulo a seco o tempo em sua evidência surda, que em passos de pássaro a experimentar de leve o chão antes do vôo, passa. Não reconheço o meu espaço, sua base é vento, música movediça que tanto inebria como exaure. Todo mundo alguma vez na vida já ficou olhando o mar dançar, na dele. E entrou na dele, e descobriu que sua música também ressuscita. Se o ar se adensasse a ponto de se desenrolar asperamente sob meus pés tornado pedra, terra, madeira, concreto, qualquer matéria sólida sobre a qual pudesse viver como se passeasse, atenta e leve! No máximo levemente atenta, porque atentamente leve seria deplorável. E não mais arrastaria essas correntes sórdidas que falam, falam, mas não se rompem inteiramente, comme il faût. Estou farta de sua violenta nitidez.
Ledusha S.


F. Picabia
enviada por Ledusha






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