21/11/2007 14:33

nécessaire

Fragmento quase inócuo

Vespas zonzas nos brotos das uvas. As paredes, ocres como estas palavras, e o odor silencioso das murtas. “Onde nenhum mar se move, as águas do coração impelem suas marés.” Os cabelos lisos, a cara linda. Inclinado ao piano, abolia com os dedos o acaso. Na noite de Ano Novo havia me puxado para um canto e com a boca em meus ouvidos fez com que me rendesse ao quilate do seu appeal, à volúpia do que chamei sentimento. Estaríamos fritos caso o barco não passasse naqueles três minutos. As veredas da alma se agitam ao gole de vinho rude, estamos na mesma mesa sob as buganvílias. O sol caiu no fio de ouro, azeite virgem no pão, perfume de mar e mariscos. À direita, o Mediterrâneo. Agora é cinza? O beijo mais demorado da droga da face da Terra. Estreamos na dança tortuosa aquela noite em que parti o salto e jogamos pela janela a Polaroid.

Ledusha S., em Exercícios de Levitação



Wiily Ronis - Paris
enviada por Ledusha






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