02/11/2007 20:19

nécessaire

Dar ao que se insinua a forma imponderável
(sem ares de fardo)
Vislumbra-se inusitada graça
nesta festa implícita

Poesia não passa feito prosa
- palavra a cavalo -
Cérebros sem vísceras
não suprimem ranços
e vice-versa
Há vento? Me instalo

No despropósito diário
agarro toda asinha
cílios ciscos de poesia
Depois à luz da dúvida
apuro mais que aparo

Não sou surda partidária do espontâneo verso
servo de tantos vícios tolos
Mas se mesmo no breu
um verso vinga
e desabrocha quase livre
vigoroso
é como se entrevasse o mundo
e fosse só eu e meu leite de letras
a ordenar
o caos

Minha maneira de agarrar poesia à unha
- aquém da tal fecunda e inusitada graça -
não conhece a suavidade do hábito

Ledusha S.



J. H. Lartigue
enviada por Ledusha






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