31/10/2007 02:04

nécessaire

Janela de Bonnard

O sol saltou para o centro da sala e instalou-se feliz como um ovo estrelado. A barra ondulada do toldo da varanda cria seu horizonte próprio, o cão fareja a brisa que faz farfalhar o jornal adormecido lá fora. (Flash back: Matisses falsos, Ibiza, F for Fake, persianas vazadas pelos olhos de Picasso, parentes das lentes de O. Welles). E a manhã de luz e calor avança. Através do vidro adivinho águas ao entardecer, apesar do azul dourado que pousa sobre o lago e alcança o latente balbucio dos livros nas prateleiras pesadas da biblioteca. As vidraças esmeram-se em refletir o brilho abundante que alegra as folhagens solícitas, tesas de seiva e vida. Peras duras, vinho, pão e queijo sobre a mesa que dá para o jardim. A toalha antiga de linho, a jarra transparente com flores amarelas e grená, estão perfeitas contra o azul quieto porém vivo do céu acolhedor. Blasé, a gata Virginie cochila enroladinha sobre uma Vanity Fair.

Ledusha S.


Wassily Kandinsky
Improvisation 31 (Sea Battle)

enviada por Ledusha






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