27/10/2007 20:52

al dente

Amoamoamo chuva. O barulho, o cheiro, o movimento. Forte, vigorosa, da boa, com relâmpagos e trovões. Minha Iansã se deleita, me dá um pique maravilhoso. Só não me deu fôlego para escrever a crônica que está encalhada há algum tempo num dos corredorores aflitos da minha alma facilmente perturbável. Mas às vezes, o que se pode fazer? (Esperei na fissura a oportunidade de usar essa pergunta recorrente da personagem de Dorothy Parker que vive fazendo as unhas e rememorando fofocas geniais. Traduzidas pelo Ruy Castro,claro.)
Que tarde gloriosa. Minha tradução rendeu, fiz um farfali com aspargos e creme frescos,e cometi o sacrilégio de cobri-lo com finos retalhos de prociutto. Não é o de Parma, meus parcos recursos ñ permitem tto; mas vale. Com 50grs desse nacional vc faz maravilhas,uma delas é essa combinação. Por fim parmesão e pimenta do reino. O pecado da gula mora ao (meu) lado, sempre.
Tudo esplêndido: humor, odores, sons, sensações, lembranças. As plantas exuberam, viçosas, depois do toró;as flores da janela da sala se oferecem ávidas aos beija-flores, assíduos frequentadores dos seus doces atrativos. Como é bom viver. Detalhe importante: como convém ao sábado - a rosa da semana, assim bem definiu Clarice -, desde que acordei ouço nosso Antônio Brasileiro (Ana Lins me cobrou a parceria - então tá ok, amiga); de Wave ao último, o daquela foto com colete branco e o charuto, que apesar de me lembrar sua perda inconsolável, é alegre. E tem "Meu amigo Radamés", que revela a essência do gênio: quando parecia já ter feito tudo de perfeito, me (nos)arrebata com essa melodia divina.
Salve!


enviada por Ledusha






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