16/05/2008 02:10
Reconciliación tardía
—Soy una esfinge.
—Ja ja.
—Bueno, parezco una esfinge, y además soy malísima.
—Yo soy el hermanito de alguien que usted no conoce, y es mentira que me llame Guillermo.
—?
—Vengo porque en la otra cuadra dicen que usted no parece una esfinge, y que se pone furiosa cuando alguien se lo dice.
—?
—Y otra cosa: ¿Cuál es el animal que por la mañana anda a cuatro patas, a mediodía en dos y al anochecer en tres?
—Bueno, yo solamente ando en una y eso es un buen argumento para negarme a responder a preguntas tan llenas de patas.
—Usted es simpática. Le voy a decir la verdad: me llamo Guillermo.
—Yo soy una esfinge.
—Es increíble cómo nos entendemos, ¿verdad, esfinge?
—Hm.
—No seas mala, vamos a jugar.
—Bueno, pero no me hagas más preguntas, no estoy acostumbrada.
J. Cortázar

enviada por Ledusha
15/05/2008 22:45
«Life doesn't imitate art, it imitates bad television».
Woody Allen

Andre Kertzész, Paris, 1928
enviada por Ledusha
13/05/2008 21:03
fait attencion: Fabiano Calixto, Sangüínea
POR DENTRO DA TARDE
AS FLAUTAS TOMAM FÔLEGO
PARA QUE CANÇÕES FLUTUEM
AO REDOR DAS ÁRVORES
QUE FAZEM SOMBRA
PARA OS QUE SE DESPEDEM

N. Parkinson, FAIRY, Brooklin Bridge, 1949
Os versos acima são os últimos do poema - lindo - "Juntando Gravetos",de Fabiano Calixto, em seu livro "SANGüÍNEA" (ed.34). EX-CE-LEN-TE. Sensibilésimo, raro.
enviada por Ledusha
11/05/2008 20:42
As mães que já perderam filhos nem sempre se sentem felizes neste seu dia. Mais frequentemente do q filhos que perderam as mães - por motivos óbvios. Filhos que felizmente estão vivos, saudáveis, e que ainda têm as mães ao seu lado não podem fazer idéia do que estou falando, e dá para entende-los perfeitamente. A vida como ela é. Hoje foi um dia de doer. Nada para suavizar, melhor passar a borracha.

enviada por Ledusha
10/05/2008 19:11
A sensação de estar deixando meus parcos dias, minhas horas, meu existir, no mais medíocre limbo, começa a me asfixiar. Esse odor de vazio chega até meu aconchego, sem pudor ou indício de mínima delicadeza. Aqui, onde tudo está tão fofo e macio. Moletom, travesseiros, cachorrinhos, lençóis, edredom, notas de João Donato respingando límpidas e livres pelo apartamento. Chega porque permiti que transbordasse, porque não pude encontrar outra saída para tentar nova entrada na vida, apesar desta ser uma só – não é o que dizem? Dizem. Para mim são inúmeras e simultâneas, e me refiro a buscar novos rumos, formatos, olhares. Postura. E assim outras palavras, inevitavelmente. Mesmo sem bússolas ou saltos abissais.
enviada por Ledusha
10/05/2008 17:14
QUANDO O AMOR ACABA, VIRAMOS PEDRA. EIS AÍ A FORMA MAIS APURADA DO SILÊNCIO.
Georges Bataille

Berthe Morisot, Butterfly Hunt
enviada por Ledusha
09/05/2008 20:04
Pela terceira vez G. insinuou me comparar à S.Plath. Não em relação à produção poética - apesar da cabeça dura ñ cometeria este despautério - e sim à instabilidade de humor e à tendência destrutiva. Tolinho, espere sentado, não darei este gostinho a ninguém. Enviei-lhe uma boa bifa by phone. Plaeft!! Senti a súbita febre queimando seu ego enxerido na altura da bochecha murcha. Meu ouvido é privada? E eu objeto de pesquisa? Easy, baby.
Em terra de cego, quem tem um só olho é rei. Quem tem dois é vesgo.
E estamos desentendidos.
enviada por Ledusha
09/05/2008 00:45
ecos de memória & outros detalhes indeléveis
Vou espremer o sumo da alma. Não me refiro à concisão da poesia. Mas à colagem / edição de fragmentos de memória, "Balanço com S", meu próximo trabalho. Não resvalar para o discurso farfalhante, rempli de soi mêmme, confundindo seriedade com falta de colhões para a irreverência e a sinceridade. Não levar a sério a própria sombra, a própria desgraça (salve!) por princípio. Preparo o fôlego para essa maratona nada linear. E arriscadíssima, considerando... melhor deixar pra lá. Releio o meu avesso avivando as escarpas para depois deslizar pelo direito, não exatamente como num tobogã.
enviada por Ledusha
04/05/2008 17:12
old Alice sem espelhos
Chove, chove, chove. Vc conhece a angústia de estar caindo feito um parafuso devagarinho por um poço, sentindo frases entrelaçadas como serpentes irriquietas prontas a implodir sua cabeça porque não tem absolutamente na-da a dizer? No caso, escrever? Não se trata de um silêncio sinistro. São uivos nos ouvidos, e não do vento, pois a queda é lenta. Parecem mais guinchos ásperos, compassados, e avessos a qualquer chance de paz. A idéia de ser poeta nunca me atraiu genuinamente. Longe de ser uma intelectual. Arghh. Só porque rabisquei uns versos como se rabisca a caderneta ao lado do telefone, depois dei uma lapidada delicada neles e foram impressos nuns livros. Fiquei poeta. Mas esse é outro papo.
Depois do poço a vida voltará geométrica e me cansarão suas esquinas.
Hoje eu só queria um pescoço forte cheirando a banho, um ombro macio de paletó para apoiar a cabeça e a alma. Se possível de tweed.

Thurston Hopkins
enviada por Ledusha
04/05/2008 14:39
hai kai para um jovem senhor
A lua rasgou o céu
como um riso
cúmplice embora conciso
L. S.

Thurston Hopkins, End of a Coming Out Party, 1954
enviada por Ledusha
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